Pagina: ‘Vídeos e Filmes’

Amarello, Amor

O que existe além do que ja foi dito sobre o amor?
Toda minha vida pautada em amores que tive ou gostaria de ter
Falando sobre os que tive, também não tenho muito que dizer.
Amei e fui muito bem amada.
Mas foi um amor, um único amor, que veio cruzou minha vida, tocou minha alma e ficou marcado em minha pele.

Todos nos carregamos com nós uma história.
Aquela que só nos atrevemos a lembrar, quando durante a noite no escuro, enconstamos nossas cabeças no travesseiro e o silêncio cala fundo.

Não importam os anos, certas coisas simplesmente permanecem.

Mas então, numa quinta-feira a tarde de um ano qualquer, tropeçamos nesse amor já supostamente esquecido.
Percebemos que amor igual não há e que aquela pessoa continua e continuará a ser nossa referência afetiva mais sincera e profunda.

Não é doença nem obsessão. Aliás não e nada, só amor. Amor dos bons, daqueles que são únicos e maravilhosos, que acontecem poucas vezes na vida das pessoas. Daqueles amores que ficam e que teremos que conviver com ele como algo concreto e parte de nossas vidas.

Que alma consegue atravessar a vida sem ter conhecido o amor e quem sabe, ter a sorte de ser correspondido?

Que vida vale a pena sem amor?

Nenhum sentimento é mais lindo profundo e transformador que o amor.

Só amor transcende e purifica, enlouquece e cura, invade, permanece, liberta e aprisiona.

Quando acontece é um som grave que penetra invade e permanece.

Não compliquem e nem elaborem o sentimento mais incrível e poderoso de todos.

Permitam que eles cheguem e se instale.

Porque o resto são bobagens meninos, bobagens.

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A produção é da AMARELLO, uma publicação  independente que fala de moda, música, cinema, política, artes gráficas e artes plásticas. Segue a linha desse vídeo feito em Portugal: (para ver clique aqui)

Drogas e Cidadania

A dependência química não é uma animação, não é comédia, desenhos coloridos, nem a porta para um mundo de ficção.

Um terror, vivido em preto e branco e que parece nunca chegar ao final.

Abaixo, um vídeo do Conselho Federal de Psicologia.

Gratidão – TEDxSF – Louie Schwartzberg

‎”Eu venho fazendo fotos prolongadas de flores continuamente por 4 horas, todos os dias, 7 dias por semana por mais de 30 anos e vê-las se mover é uma dança da qual eu nunca me canso”

Imagens do Nepal

O olhar disponível para a beleza
um zoom profundo dentro da alma
um clique revelador
um flash estelar
que ilumina.

Ticket de Espera

A Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e a Young & Rubican Brasil, promoveram uma ação conscientizadora sobre o tamanho das filas de espera para quem precisa de um órgão. Nós, que em diversas situações reclamamos de fila nos lugares, nos deparamos com o susto e com desconforto em saber o número real de espera para quem precisa sobreviver. Desconforta sim, mas há de nascer do caos uma estrela incandescente, assim como do desconforto há de nascer uma iniciativa.

Jogo de Cena (Coutinho, 2006)

Zapeava pela TV a cabo no sábado à noite, quando dei de cara com o filme Jogo de Cena, de Eduardo Coutinho. Planejava escrever sobre Tarantino esta semana, mas a força do filme do Coutinho me tomou completamente. E não apenas pelo filme em si, mas também (em mesma escala) pelo caráter de experimento, de inquietação do diretor em buscar, envolver, misturar e experimentar novas fórmulas, combinações e ousadias em sua obra. Para quem já chegou no patamar aonde chegou Coutinho, seria fácil aquietar-se no mesmo e fugir do risco. Mas ele não se aquieta. E por isso, na minha opinião, merece meu espaço dessa semana. Ele e seu jogo de cena.

Em Jogo de Cena, Eduardo Coutinho, o maior documentarista do cinema brasileiro, mostra uma vigorosa disposição para experimentar novas invenções estéticas, narrativas e cênicas. Inquieto, como só os grandes talentos o sabem e podem ser, ele vai além e nos apresenta também uma inversão – ou um amálgama – de gêneros. Brinca com a sublevação de seu próprio caminho, cinema e gênero. E cria um jogo cênico de dores e delícias.

O trabalho não é um documentário no sentido estreito do termo. Tampouco é ficção. É mais que ambos: é um exercício de dramaturgia e uma brincadeira inteligentíssima com os limites da ficção e da realidade, com os limites da mimética dramática e do depoimento documental.

Em 2006, Coutinho colocou um anúncio em jornais do Rio de Janeiro convidando mulheres que pudessem contar suas histórias de vida e participarem de um filme. Gravou diversos depoimentos. Depois convidou atrizes como Andréa Beltrão, Marília Pêra, Fernanda Torres e outras não tão conhecidas a verem os depoimentos, decorarem os textos e depois gravarem, elas, interpretando as mulheres reais.

O resultado, fruto da alternância dos depoimentos reais e fictícios, é um filme bonito e tocante. De uma beleza que nasce do talento grandioso das atrizes, misturado à franqueza desarmada das mulheres reais com suas histórias. Histórias quase sempre pautadas pela luta, pela tragédia, pela opressão da vida, da miséria, da ignorância e de homens de caráter ralo.

E é surpreendente ver na tela emoções alheias tomadas para si na voz e na face das interpretações. Ver como muitas vezes há no ator uma íntima disputa entre a técnica e o sentimento, onde muitas vezes ele se entrega ao clichê, porque isso, muitas vezes, é a vida real simplesmente. Também é fascinante o jogo da ocultação, da ficção dentro do documental, onde não se nota as nuances que saparam um do outro, tornado-os uma coisa só.

O ponto de equilíbrio tênue e traiçoeiro desse limiar impreciso parece estar nas lágrimas das mulheres que aparecem no filme. Entre contidas e abundantes, permanentes ou ocasionais, são as lágrimas que algumas vezes denunciam, outras vezes despistam. Mas estão sempre lá, algumas vezes trazidas dentro da bolsa, a tiracolo, feito acessório de trabalho; outras vezes, trazidas nos compartimentos da alma, autênticas, moderadas ou espalhafatosas, incorrigíveis. São elas, as lágrimas, que dão o tom máximo do óbvio e do reservado, que parece distinguir o real do ficcional, quando muitas vezes não é nada disso, porque nem tudo é o que aparenta em um jogo de cena.

Coutinho renova a si mesmo em Jogo de Cena. Mostra-se sagaz e inquieto com a obviedade e busca mais que o esperado para quem já foi tão longe dentro de seu ofício.
 Ele cavucadentro da realidade para achar os tesouros do ficcional e depois compará-los e depois misturá-los, até que se tornem indistinguíveis. Presta-se a escrutinar a arte da interpretação, a desvelar mistérios, a expor o intrínseco sem perder-se de sua natureza e de seu ofício: a realidade, o documental. 

O diretor constrói um filme de beleza diferente, brincalhão com os revezes do dramático e da dramaturgia. Empresta graça até ao que é triste. Se mantém fiel ao que é seu, mas sem pipocar no repetitivo e previsível. Coisa que só os grandes artistas conseguem, porque nunca param de buscar um modo diferente de fazer as coisas.

Amizade

Se é ou não impossível viver sozinho, há controversas. O que foge à conta, e não há contras, mas sim versos,  é para falar de amizade. Experimente. Olhe e toque respeitosamente  as vidas que estão ao seu lado, no ônibus, na rua, em todas as esquinas da sua rotina. Sorria. Alargue-se em um olhar atencioso. Convide. Seja amigo da amizade e ela te fará fiel companhia sempre.

Poema do Vídeo: Oscar Wilde
Texto: Karla Jacobina

A Máquina

A trama deste filme surpreendente e criativo, gira em volta de um rapaz chamado Antônio, que mora em uma cidade chamada Nordestina, que de tão pequena nem existe no mapa. Os habitantes de Nordestina aos poucos vão, um a um, deixando a cidade em busca do “mundo”.

Em determinado momento, Karina, por quem Antônio é completamente apaixonado, decide ir para o mundo em busca do seu sonho de ser atriz. Em uma tentativa de impedi-la, Antônio promete trazer o mundo à sua amada.

Uma história em que os sonhos contradizem a realidade, as condições geográficas e políticas ameaçam conter a vida, e o amor desempenha o papel de elemento transformador.

Ame

Que pode uma criatura senão,
senão entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?

Que pode, pergunto, o ser amoroso
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?

Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina.

Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.

Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.

Amar
Poema de Carlos Drummond de Andrade

Agora. Agora. E agora.

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Há muito tempo atrás, e ponha tempo nisso, um homem estava só, sentado sobre uma pedra. Era noite de lua, calma, clara, linda, a ponto de, até o vento ter se esquecido de ventar por tanto encantamento. O homem diante deste cenário fantástico, trouxe `a memória a imagem das pessoas que amava. Como se a pedra que estivesse sentado desejasse se tornar lua, multiplicou seu tamanho, ao ponto de tudo assim se tornar, até o coração do homem . Essa lua que sentia no peito se chamava saudade. Cada vez mais frio e rígido, o homem decidiu extrair de si tal lua que lhe tomava. Soltou um grito sofrido, como o uivo dos lobos, e ganhou vida no ar toda a saudade do mundo. Nesse momento, nascia o Passado e no seu vento, sopravam a saudade, a culpa e a angústia.
No outro dia, pela manhã, o mesmo homem continuava sentado sobe a mesma pedra. Não conseguia dormir de tão impressionado que ficou na noite anterior. Pensava: se da memória das pessoas que amo consegui criar o passado, serei capaz de criar o momento em que me reencontrarei com elas? Apesar de continuar sentado sobre a pedra, seu pensamento ventava dentro de sua cabeça. Levantava telhados, arrancava árvores, batia brutalmente as portas, a ansiedade que desejava, mais do que tudo, rever as pessoas queridas. Como se a pedra que estivesse sentado fizesse parte de seus pensamentos, o vendaval da ansiedade tentou arrastá-la, mas o peso do corpo do homem não permitia que ela se movesse. Como um cabo de guerra, de um lado o vento tentando arrastar a pedra, do outro o homem pesando sobre ela, a corda rompeu, e ao romper, esparramou faíscas de ansiedade no ar. Nesse momento, nascia o Futuro e o seu vento soprava contrária `a corrente do Passado. O vento do futuro era veloz e corriam nele a pressa, a impaciência e a dispersão.
De cima da pedra, o homem olhava a poeira que levantou o vento do Futuro. Insatisfeito em pensar em arrumar aquela bagunça, sentiu em suas costas um vento frio. Lá vinha o Passado, e do encontro de seus ventos com os do Futuro, caiu aquela chuva. Gotas de saudade misturadas com as de pressa, as de culpa junto das dispersas e o homem assistia a tudo sentado sobre a pedra. Trovões murmuravam, raios caiam e adivinhem?
– O homem continuava sentado sobre a pedra. Há mais de vinte e quatro horas, sem levantar sequer para ir ao banheiro, a chuva cai sobre ele, o vento que lhe assanha os cabelos e nada o faz levantar da bendita pedra! Por acaso o nome desse cidadão é Mármore? Granito? Ônix?
Fazedor de Tempo. Foi assim que ficou conhecido, como a pessoa capaz de assistir em paz, a briga das gotas de chuva.
De todas as chuvas, essa foi a mais longa, pois nenhuma das correntes deram o braço a torcer. Muitos contam que, depois de tanto tempo, ela ainda não cessou.
– E o Fazedor de  Tempo? Não vá dizer que ele ainda continua sentado sobre a pedra?
Sim, o homem permanece lá, só e sentado sobre a pedra, apreciando a chegada de cada gota de chuva na terra. Primeiro ele deu vida ao Passado, depois ao Futuro e do conflito entre  os tempos, nasceu inesperadamente o Presente. Inesgotável. Uma incessante sequências de agoras. E foi em um agora como esse, que o Fazedor de Tempo e sua pedra receberam do Presente, o presente de serem eternos.

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por Karla Jacobina
vídeo Kung Fu Panda





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